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terça-feira, junho 22, 2004

Brasileiro assim 

Foi engraçado hoje me dar conta do impacto que me causou a morte de uma garnde figura política. É como ingressar no contingente de gente que presencia a história, do qual, até hoje, só meu pai fazia parte.
Não me sinto autorizado a atestar nada, depor a favor ou contra, criticar ou analisar. Quem dera ter vivido um tempo em que Brizola me causasse aversão ou me convertesse a brizolista. A história do meu tempo parece asséptica.
Entretanto, se algo é capaz de me tocar, vence a inércia da minha apatia, deve ser registrado. Depois de passar indiferente pela manchete de todos os jornais da banca, caiu a ficha de que foi uma pessoa o protagosnista espisódios vagamente residuais das aulas de história [do Vinícius]: ao lado de Vargas, a Cadeia da Legalidade, as reformas de base, o discurso de lançamento da reforma agrária na Central do Brasil, o exílio extenso, construção do Sambódromo, dos Ciepes, da Linha Vermelha.
Diante disso, pela maneira como estranhamente me solicita hoje, preciso resistir a dar por óbvio que a política seja reduzida a uma encenação de hipocrisia currupta e deletéria. Tem que ser mais, um instrumento da expressão de um povo.
Populista, demagogo, ideológico. Não me importa. Eu jamais tinha olhado para a história política do Brasil com atenção comovida. Eu não sabia que alguém tinha certeza da identidade desse país. Eu queria ser brasileiro assim.

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