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segunda-feira, junho 21, 2004

Cazuza 

Esse posta é pra Mari com quem eu ando em alta dívida! [porque o Cazuza, não se cansa de declarar, teria sido o homem da vida dela]

O tempo tempo não pára é um filme encantador. Sem procurar muitas razões, eu saí do filme diferente de quando entrei. Tem muito mérito, portanto.
Saí, gostando muito da minha mãe, que eu adoro mesmo, e dominado pela singeleza da relação de mãe e filho. [de mãe para filho]
Saí achando a Marieta Severo parecida com a minha mãe e gostando mais dela, da Lucinha e de todas as mães.
Saí convencido de que os pais que vivem mais que os filhos, que vêm um filho morrer, depois de cuidarem tanto, amarem tanto e temerem tanto essa fatalidade, cuidando sobretudo de assegurar que o filho viva, merecem um bônus no Paraíso, um prêmio, uma compensação, sei lá qual. A eles, eu cedo meu assento.
Saí impressionado com a facilidade que o Cazuza-personagem tinha para fazer o que ele tinha vontade, no momento imediato da vontade, sem qualquer entrave, sem vergonha, sem considerar conseqüências ou pessoas. E fazendo parecer que viver assim, de fato, é mais simples...
Mas saí bem, surpreendido com o visual da Enseada de Botafogo da varanda do shopping e certo de que as minhas sandices são insuficientes pra tanto drama; Sem restar dúvida de que “todo mundo é uma merda” como ele alerta o pai, e com a consciência reforçada de que as alegrias dos momentos de euforia, dos amigos e aventuras passam e não garantem a realização toda que eu desejo pra minha vida, quando no final ela se der por cumprida.

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