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terça-feira, junho 08, 2004

Da solidão - da série Vinícius  

Gosto de fazer as coisas a meu tempo. Anunciei antes, dei o tempo necessário à expectativa, posto o poema agora. Não me apressem...

A maior solidão é a do ser que não ama. A maior solidão é a do ser que ausenta, que se defende, que se fecha, que recusa particiapr da vida humana. A maior solidão é a do homem encerrado em si mesmo, no absoluto de si mesmo, e que não dá a quem pede o que ele pode dar de amor, de amizade, de socorro. O maior solitário e o que tem medo de amar, o que tem medo de ferir e de ferir-se, o ser casto da mulher, do amigo, do povo, do mundo. Esse queima como uma lâmpada triste, cujo reflexo entristece também tudo em torno. Ele é a angústia do mundo que o reflete. Ele é o que se recusa às verdadeiras fontes da emoção, as que são o patrimônio de todos, e, encerrado em seu duro privilégio, semeia pedras do alto da sua fria e desolada torre.
De Para viver um grande amor

Não pensem que essa é uma devassa à privacidade da Liza ou uma leitura de sua personalidade. Nem um recado indireto.
Mas esses versos me levaram de volta a uma conversa que tive com ela, via ICQ, sobre valer à pena ou não reservar-se, manter-se fechado numa tentativa de preservação, em detrimento de estar mais aberto e livre ao se envolver de tudo o que é ocasional.
Encerrar-se nessa torre é um risco a que cada um de nós - sem nos darmos conta de voluntária abstenção da vida - estamos sujeitos.

Não quero uma vida moderada.

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