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sexta-feira, agosto 20, 2004

A cidade 

Aqui no Rio, muita gente se refere ao centro da cidade apenas como "cidade". E já fazia muito tempo, eu não andava por essas bandas. Hoje, após a confirmação voluntária da tragédia de todos os meus fins-de-semana - pelo menos até feveriro - com a inscrição na emergência do "Sousa", eu vim andando encontrar o meu pai no trabalho para almoçar.
E eu já não me lembrava como era isso aqui. Após atravessar o deserto da Av. Presidente Vargas, com um sol que racha cabeça de sertanejo nordestino, passando por trás da famosíssima Central do Brasil ouvindo música de corno de toda diversidade, eu ouço um CACAREJO ao meu lado.
Não, eu ainda não estou alucinando. Era uma pequena granja, com gaiolas sobre gaiolas de galinhas, de verdade, no meio do caos do centro da cidade. Com o pescoço pra fora das grades, elas pareciam tranqüilamente integradas ao ambiente. Ao lado, uma garagem adaptada a salão de beleza, com uma foto enorme de morena dos anos oitenta muito maquiada, de cabelos cacheados e muito volumosos, esvoaçantes.
Um depósito enorme de doçes, botequins vizinhos uns do outros e carros que só se vê em documentários sobre a Cidade do México estacionados anarquicamente completaveam a paisagem surreal.
Uma inspiração!


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