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sexta-feira, agosto 12, 2005

Batman amazingly begins! 

Aqui eu tenho que parar e aplaudir. Ninguém fez isso no cinema, mas eu bem que queria... Quase não posso me perdoar por ter deixado passar tanto tempo e chegar de retardatário pra assistir esse filme tão completo.

Completo: essa é a definição. Poucos são os filmes que conseguem se tornar maiores que o cinema, que me fazem esquecer completamente que eu estou sentado numa poltrona confortável e deixar de lado meus caramelos Alpenliebe [a melhor companhia quando estou no cinema sozinho, mas a rede Cinemark resolveu parar de vender]. Batman Begins é assim: se agiganta além da tela, te envolve completamente e não te dá tempo de se distanciar e ficar observando interpretações, fotografia ou o sorrisinho torto da Joey [injustiça! Desde Dawson's Creek eu não via Katie Holmes e ela deixa claro que cresceu]

Por isso, o filme é uma unidade, não uma junção de coisas boas. E não requer análise fragmentária. É um filme pra ser matéria de ensaios, mas comento algumas coisas que me impressionaram muito.
A discussão sobre a natureza da Justiça dá uma fundamentação quase filosófica ao roteiro, que enche o personagem de consistência. Ele é o expoente da competência humana, realizou seu potencial ao máximo, mas sabe que não se encontra acima do Bem e do Mal. Reconhece que o homem é investido de grande afeição, da razão, de liberdade, mas não é capaz da justiça. Ele tem certeza de que o homem é corruptível, ou melhor sabe que mesmo sua pessoa transformada continua corruptível e portanto não pode ser o último tribunal do mundo. E isso abre espaço à compaixão.
Por isso mesmo Bruce Wayne tem que criar uma entidade sobre-humana, imaculável, para que se possa identificar a Justiça. Esse é o grande mote do filme: a justiça não é humana, mas toma a foma do morcego.
E isso tudo antes do filme começar! Quando vem o recheio com mistura certa de romance, drama, intriga corporativa, ação e tecnologia plausíveis [como há muito já nos habituávamos a não ver], é só se entregar e deixar que o perfeito encadeamento dos eventos faça seu trabalho. As surpresas do suspense, o humor espirituoso do Alfred, as personalidades fantasticamente desvirtuadas dos vilões reconstroem o universo de Batman com acabamento precioso e fazem
todos os outros filmes parecerem teatrinho de fantoche.
Bravíssimo!

[aplausos!]

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